terça-feira, 28 de junho de 2011

170 deúncias de pedofilia foram registradas em apenas seis meses no Maranhão

 Recentemente foram divulgados casos de pedofilia ocorridos na cidade de São Luís. Um deles é de um advogado, que abusou sexualmente de um adolescente de 13 anos e outro de um fonoaudiólogo, que foi pego em flagrante mantendo relações sexuais com uma adolescente de 11 anos, dizendo ser seu suposto namorado. Os dois acusados encontram-se reclusos no Centro de Triagem de Pedrinhas à disposição da Justiça. Casos como esses revelam a triste realidade vivida no estado do Maranhão do grande número de ocorrências envolvendo violência sexual a crianças e adolescentes.

Dados fornecidos pelo Centro de Perícias Técnicas para a Criança e o Adolescente (CPTCA), mostram que até junho deste ano foram mais de 170 denúncias recebidas pelo órgão, sendo 60% destas envolvendo abusos de menores na faixa etária 10 a 14 anos, como o dos casos relatados. Também, somente em 2010, foram 444 ocorrências que passaram pela perícia psicológica e social do CPTCA, representado um aumento de quase 50% em relação aos registros do ano de 2009.

A delegada Igliana Freitas, da Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA), diz que o aumento considerável nos casos registrados pela delegacia se deu por conta do incentivo dado às denúncias por meio de campanhas de combate à violência sexual de menores. “Essa grande quantidade de denúncias resulta do trabalho que sempre fazemos de instigar as pessoas a noticiarem esses casos às autoridades competentes”, relata a delegada, lembrando que a CPI de Combate à Pedofilia no Maranhão, comandada pela deputada estadual Eliziane Gama (PPS), foi fundamental para o crescimento das denúncias.

Ela ainda afirma que o aumento dessas estatísticas não significa que antes ocorriam menos casos de pedofilia, mas sim que eles agora estão sendo revelados. “O aumento das denúncias é bom porque tomamos mais conhecimento dos casos que antes estavam escondidos. Então esse alto número de registros não é um aumento da violência, mas a revelação de casos que ocorrem cotidianamente”, diz Igliana.

Diante deste grande número de casos envolvendo violência sexual a crianças e adolescentes, a Delegacia está realizando um levantamento dos casos já em investigação no órgão, para tomar medidas a fim de acelerar o andamento destes.

Precocidade sexual perigosa

No caso do fonoaudiólogo Herbert de Jesus Silva, que violentou a garota de 11 anos, foi alegado que a vítima possuía um relacionamento amoroso com o mesmo, o que é muito comum nos registros de violência a criança e ao adolescente do CPTCA. A psicóloga da instituição, Camila Campos disse que a precocidade na vida sexual dos adolescentes nos dias atuais tem sido um dos motivos que levam a ocorrência de casos como esse, onde existe um suposto amor entre as partes.

“O amadurecimento precoce das crianças e adolescentes ocasionados pela própria sociedade e pela mídia, tem levado esses menores a se sentirem mais autônomos, querendo decidir muito cedo, inclusive, sobre sua vida sexual e amorosa. Isso faz com elas sejam facilmente envolvidas pelos pedófilos, que já têm uma experiência e fazem os adolescentes se sentirem parte ativa da relação, ou seja, levando eles a acharem que também estão amando”, analisa a psicóloga, dizendo que esse falso consentimento por parte da vítima em aceitar a violência sexual que está sofrendo, nestes casos, são fruto da inexperiência desta e também porque ela acha aquilo muito normal, não considerando as consequências desses atos.

Por causa deste forte envolvimento entre o menor e o agressor, a psicóloga revela que as vítimas acabam por resistir ao atendimento feito pelos órgãos responsáveis, brigando com os pais porque não querem incriminar o maior, dificultando, assim, as investigações. “Fatos desse tipo são mais difíceis de tratar porque no caso dos suposto relacionamentos amorosos, há um consentimento da criança ou adolescente e esta se sente bem no que está fazendo, enquanto nas violências chamadas comuns, o menor sabe que é errado aquilo que está acontecendo e sofre com tudo aquilo”, diferencia Camila.

Ela acredita que a única forma de reduzir casos deste tipo é através da educação. “Falta discussão desse tipo nas escolas e dentro da própria família, a fim de informar os menores sobre os perigos de envolvimento com pessoas mais velhas”, diz a psicóloga.

Fonte: http://www.oimparcial.com.br

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