quarta-feira, 5 de março de 2014

Aumento do salário mínimo em Washington não eliminou empregos


Da Bloomberg News
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Ao contrário das previsões, número de vagas cresceu nos últimos 15 anos

WASHINGTON - Quando a população do estado americano de Washington votou em 1998 a favor do aumento do salário mínimo e relacioná-lo ao custo de vida, opositores da ideia alertaram que a medida acabaria eliminando vagas de emprego. O prognóstico, porém, mostrou-se equivocado. Nos 15 anos que se seguiram, o salário mínimo estadual avançou para US$ 9,32 a hora — o maior dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o crescimento do emprego continuou a uma média anual de 0,8%, 0,3 ponto percentual acima da média nacional. As folhas de pagamento de bares e restaurantes, um dos setores apontados pelos críticos como os mais vulneráveis, expandiram 21%. Já o nível de pobreza ficou atrás da média nacional por pelo menos sete anos.
O debate está se repetindo agora em escala nacional, à medida que os democratas, liderados pelo presidente Barack Obama, pressionam por um aumento do salário mínimo federal — hoje em US$ 7,25 a hora — ao passo que os que são contra argumentam que o aumento fecharia vagas menos qualificadas, afetando justamente aqueles a quem se pretende beneficiar. Mesmo que o alerta se mostre real, o exemplo de Washington revela que quaisquer efeitos não são grandes o suficiente para atingir duramente o mercado de trabalho.
— É difícil perceber que o estado de Washington pagou um alto preço por ter um salário mínimo maior do que o resto do país — afirmou Gary Burtless, economista da Brookings Institution e ex-assessor do Departamento de Trabalho.
Custos e benefícios
O aumento do salário mínimo federal para US$ 10,10 a hora, como pretende Obama, reduziria o índice de desemprego nacional em cerca de 500 vagas, ou cerca de 0,3%, de acordo com um relatório do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, em inglês), publicado no mês passado. Ao mesmo tempo, o aumento iria tirar 900 mil pessoas da linha da pobreza e somar US$ 31 bilhões aos ganhos dos assalariados americanos com menor renda, mostrou o estudo.
Enquanto o debate persiste sobre o efeito no nível de desemprego, a presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Janet Yellen, afirmou em sua sabatina no Comitê de Bancos do Senado, em 18 de fevereiro, que “o CBO está tão qualificado para avaliar essa literatura (sobre o impacto do salário mínimo no emprego), e eu não duvidaria de sua conclusão”.
Olhando para efeitos além do emprego, o aumento do salário mínimo para US$ 10,10 também reduziria os gastos com os tíquetes alimentação (os chamados food stamps) em cerca de 6%, ou o equivalente a quase US$ 4,6 bilhões por ano, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Centro pelo Progresso Americano. A firma de pesquisa, com sede em Washington e fundada pelo assessor econômico de Obama John Podesta, divulgou seu relatório no mesmo momento em que o presidente americano reiterava sua proposta de elevação do salário mínimo.
Disputa política
Em novembro de 1998, os eleitores de Washington aprovaram o aumento do salário mínimo estadual em duas etapas, para US$ 6,50. Além relacionou os reajustes anuais a mudanças na inflação medida pelo índice de preços ao consumidor. Grupos representativos de varejistas, restaurantes e hotéis se opuseram à elevação do mínimo. No entanto, o nível de emprego nesses setores no estado de Washington cresceu desde então, revelam números do Departamento do Trabalho.
Uma possível explicação é que os setores econômicos têm várias formas, além do corte de vagas, para absorver os custos de um aumento do salário mínimo, de acordo com Arindrajit Dube, economista da Universidade de Massachussetts, em Amherst, cuja pesquisa não apontou qualquer efeito significativo no nível de emprego. Aumento de preços, reduções da margem de lucro e redução do volume de negócios podem ajudar a amenizar o choque do aumento.
— Quando se coloca todos esses fatores juntos, vem a descoberta de que não é surpreendente que aumentos moderados do salário mínimo não tenham muito impacto no emprego — afirma Dube.
Mas nem todos concordam com esse argumento. As legislações de salário mínimo não apenas reduzem oportunidades de emprego e ganhos para o trabalhador de baixa renda, como também reduzem a demanda por seu trabalho, à medida que ele é substituído por outras formas de capital, de acordo com pesquisa publicada em 2008 por David Neumark, economista da Universidade da Califórnia, em Irvine, e William Wascher, economista do Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fomc, em inglês), em Washington.
A lei do salário mínimo tem a oposição de grupos de negócios tais como a Federação Nacional de Varejistas, além de vários líderes republicanos, inclusive o presidente da Câmara dos Representantes e líder do partido, John Boehner, de Ohio. No Senado, que é controlado pelos democratas, o líder da maioria, Harry Reid, de Nevada, adiou em 25 de fevereiro uma votação da matéria, um dos pontos-chave da campanha democrata que foca na desigualdade de renda. O adiamento até que os senadores retornem do recesso de uma semana em 24 de março dá tempo aos sindicatos mais tempo para organizar o apoio à proposta, afirmou uma fonte ligada ao líder democrata.
 
Fonte: oglobo.globo.com  e Google IMAGENS

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